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Mediação cultural, performance

Objectos Quebrados Para Acções Completas
(nova criação)

EM CRIAÇÃO 
 

Vanda R. Rodrigues

e Sara Franqueira

Os objectos são uma espécie de pontes entre o mundo dos outros e o nosso: informam-nos sobre o outro, sobre nós mesmos, sobre o mundo à nossa volta, dão-nos certezas indispensáveis. A faca é para cortar, eu sei-o, tu sabe-lo, nenhuma de nós está maluca. Mas e quando os objetos nascem não de uma função, nem de uma verdade, nem de um único sentido? Será que nos deixam imaginar ainda mais? Serão os objectos inúteis bons pontos de partida para ideias e acções partilhadas? Em Utensílios Quebrados Para Acções Completas, os objectos partem-se e só se completam com a interacção com o público, o espaço e a paisagem. A partir (dos) objectos, dos materiais e dos corpos, chegamos à conclusão que a paisagem é obra de um museu e o público é actor performativo.

Este é um projeto de natureza não capacitista, onde múltiplas experiências sensoriais serão estimuladas, onde miúdos e graúdos mexem, remexem e criam em movimento, intervindo directamente no objecto artístico sem medo de errar, esculpindo engenhocas que emolduram o mundo.

Ficha técnica e artística

Concepção e execução: Vanda R Rodrigues e Sara Franqueira.

Em parceria com: A Pigmenta.

Biografia //

Biografia //

Licenciada em Arquitetura pela Faculdade de Arquitetura da Universidade Técnica de Lisboa e Mestre em Estudos de Teatro pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Doutoranda no Centro de Estudos de Teatro da mesma Faculdade onde investiga a experiência cenográfica na contemporaneidade. No seu estágio profissional dedicou-se à relação entre arquitetura e cenografia e na investigação posterior centrou-se nas relações e contaminações entre cenografia e artes plásticas contemporâneas. É mediadora de arte contemporânea para várias entidades, destacando-se a Fundação Gulbenkian e o Museu de Arte Contemporânea Coleção Berardo. Tem vindo a conceber e realizar uma série de actividades artísticas, cursos e formações para diversos públicos designadamente programas de acompanhamento de profissionais de serviços Educativos. Mantém uma atividade regular criativa nas áreas das artes de palco, onde assina espaços cénicos teatrais e expositivos trabalhando igualmente em projetos performativos e transdisciplinares. Recentemente foi coordenadora da secção Performative Space da Representação Oficial Portuguesa na Quadrienal de Praga. É cofundadora de três companhias de teatro e da APCEN- Associação Portuguesa de Cenografia, na qual é actualmente membro da direção.

Nasceu no Estoril em 1987. Formada pela Escola Profissional de Teatro de Cascais, pela Universidade de Évora e Universidade Estadual de Campinas (BR), frequentou uma Pós-Graduação em Dramaturgia e Guionismo na ESMAE.

Directora Artística da Colecção B Associação Cultural (Évora) onde programa vários Ciclos de artes performativas contemporâneas. Durante seis anos leccionou Teatro/Circo nos cursos de fim de tarde do Chapitô (Lisboa) onde todos os anos apresentou um espectáculo diferente, todos com dramaturgias originais. Em 2015, foi uma das representantes portuguesas no projecto École Des Maîtres com a coordenação do encenador Ivica Buljan (HR).Trabalhou como intérprete com Mickaël de Oliveira no Coletivo 84, Fernanda Lapa na Escola de Mulheres, Rodrigo Francisco na Companhia de Teatro de Almada, Carlos Avilez no Teatro Experimental de Cascais e ainda com Marta Bernardes e Pedro Gil. Criou para o festival Escrita na Paisagem a performance “Kamasutra machine”, para a Música Portuguesa a Gostar dela Própria a vídeo performance “Sapateando” e “Processa-me: uma carta de amor a Neto de Moura”. Apoiou a criação de “A cada velhinha que ela grava é a minha avó que não morre” para A Música Portuguesa a Gostar Dela Própria/ TNDM II e “Memorial” de Lígia Soares.

Em 2019 o seu solo “Espectáculo de amor” estreou no Serralves em Festa e foi depois apresentado em várias cidades portuguesas. Em 2020 criou a peça radiofónica “Combate de amor” para a Um Colectivo. Escreveu, dirigiu e interpretou Manifesto Funesto para a Colecção B/Artes à Rua. Encontra-

-se neste momento a co-criar “Plano comensal de leitura” de Marta Bernardes, uma co-produção da Colecção B para o S.Luiz Teatro Municipal/ T.Viriato/ Museu da Cidade.

O projeto “Utensílios quebrados para Ações completas” é uma criação para a coleção
B, que pode estar sempre em expansão, e que assenta numa coleção de objectos
inventados, que podem ser ativados de diferentes formas.
Estes objectos podem ser lidos como esculturas de pequena escala ou joalharia de
grande escala e funcionam em relação com o corpo e com o espaço. São também
pequenos objetos cenográficos, pois só existem de forma plena na sua manipulação e
observação.
São nomeados de utensílios, porque “utensílios” são invenções exteriores ao corpo
que potencializam capacidades do mesmo, e por isso também estes utensílios, mais
poéticos que funcionais, ganham identidade durante as ações que desenvolvem.
A criação destes utensílios está ancorada em discursos da arte contemporânea e no
rasto da histórica tradição do movimento Fluxus. Ocupando naturalmente um lugar
intersticial, são pensados como despoletadores de conversas, de questões e de
ações. A sua natureza torna-os flexíveis e operativos num território extenso entre a
mediação da arte e a sua criação, dotando o projeto de dois lados de implementação.

Lado A
Uma das formas de realização do projeto é a construção de objetos performativos
autorais, que por estarem vinculados ao domínio da criação artística são
intransmissíveis. São também criados em articulação com os universos definidos pelos
seus autores, e como espetáculos ou performances de direito próprio sustentam uma
realidade independente de outros contextos.

Lado B
Uma outra forma de explorar esta coleção é introduzi-la em contextos de mediação.
Em virtude da abertura de discurso e levantamento de questões que as ações
despoletadas por estes objetos podem levantar, estes utensílios podem ativar relações
de descoberta, análise e interpretação de determinado património ou coleção. O uso
destes objetos dá origem a visitas performativas onde a identidade dos objetos vai
sendo construída em coletivo exponenciando relações com obras sobre as quais cada
versão do projeto incidir.

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